A Herdade do Mouchão não tenta reinventar o vinho. Mantém-no.
A propriedade foi adquirida em 1876 pela família Reynolds, de origem britânica, que ainda hoje a gere. Foi aqui que a casta Alicante Bouschet foi plantada pela primeira vez em Portugal, adaptando-se aos solos de várzea e tornando-se a base dos vinhos da casa.
A adega, construída em 1901, continua em funcionamento praticamente como era no início. As uvas são colhidas à mão. Os vinhos tintos fermentam com pisa a pé em lagares de pedra. O estágio acontece em tonéis de madeira de grande dimensão, alguns com mais de um século.
Houve uma pausa forçada após 1974, quando a herdade foi expropriada. A propriedade regressou à família em 1985, num estado que obrigou a recomeçar quase do zero. Esse período ainda faz parte da identidade do Mouchão.
Hoje, o que se encontra aqui não é uma adega adaptada às tendências. É um método que resistiu ao tempo.
Quem visita o Mouchão percebe isso rapidamente. Não há encenação. O que se vê é o processo real e isso é raro.