A Adega Malápio é um projeto vitivinícola artesanal que nasce de uma ligação profunda ao território da Bairrada. Criado por Romeu Martins, o projeto recupera a prática ancestral da vinificação em talhas de barro, reafirmando a relação histórica entre a região, a terra e a arte do barro. Num território marcado por solos argilosos e por séculos de tradição agrícola, a Malápio afirma-se como uma homenagem ao património, à memória e à autenticidade.
As vinhas localizam-se em Barrô, no concelho de Águeda, nas encostas que dominam os arrozais do rio Cértima. Tratam-se de vinhas medievais, plantadas em field blend, que formam um verdadeiro mosaico de castas tradicionais da Bairrada. Os solos de barro, o curso de água que atravessa a vinha e o trabalho manual rigoroso, realizado cepa a cepa, dão origem a vinhos profundamente ligados ao lugar e à sua identidade.
No centro do projeto encontra-se uma adega centenária, de paredes em adobe, onde permanecem em uso talhas de barro históricas, muitas delas herdadas do avô do produtor. É neste espaço que a vinificação segue métodos ancestrais: curtimenta com as películas, leveduras indígenas e mínima intervenção, permitindo que os vinhos expressem de forma natural a sua textura, frescura e carácter. O resultado são vinhos de talha que respeitam o tempo, a tradição e a essência da Bairrada.
O enoturismo assume um papel central na Adega Malápio. As visitas à vinha e à adega permitem conhecer a história do projeto, compreender a filosofia de produção e viver a Bairrada através da paisagem, da gastronomia e do seu património cultural. Mais do que uma simples visita, a Malápio proporciona uma experiência imersiva numa tradição viva, onde o vinho, o território e as histórias humanas se cruzam numa autêntica experiência da Bairrada.